sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

DESTA VEZ AJUDOU-ME LUIS DE CAMÕES

Faço um esforço de memória e tento precisar quando foi. Muito honestamente já não consigo recordar se foi nos finais dos anos 70 ou princípios dos 80. Uma coisa é certa - tratou-se duma falta de bacalhau. Lembro-me que as pessoas faziam filas ou não fôssemos nós Portugueses. E ainda hoje adoramos as duas coisas! Adiante...
Folheava eu a poesia lírica de Camões, quando me caíu nas mãos aquilo que eu safadamente converti no desespero pela perda, dum verdadeiro amante dos prazeres da mesa. E a coisa deu nisto:

Bacalhau meu gentil, que te sumiste
tão cedo deste Portugal, descontente,
repousa lá na Terra Nova eternamente
e viva eu cá na mesa sempre triste.

Se lá no mar gelado, onde imergiste,
memória deste aroma se consente,
não te esqueças daquele apetite ardente,
que já nos beiços meus tão forte viste.

E se vires que pode merecer-te
alguma cousa a fome que me ficou
do vazio, sem remédio, de perder-te,

roga a Neptuno, que teus anos encurtou
que tão cedo de cá me leve a comer-te,
quão cedo de meus repastos te levou.

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Almada, Portugal
Leitora compulsiva,Amiga do meu Amigo,conversadora,dou tudo por uma boa gargalhada,teimosa por vezes até à burrice,gosto de animais (tenho um gato) e admiradora incondicional da Arrábida e das Berlengas.