Primeiro foram os livrinhos de pano contados, recontados, lavados e relavados. Seguiu-se uma história em quadradinhos da colcha da minha cama sobre um guarda redes azelha, contada e recontada vezes sem conta.
Por volta dos 7 anos começaram a chegar os primeiros livros à séria e gradualmente foi crescendo e desenvolvendo um Amor muito sério!
Tenho neste momento 48 anos com muitos livros meus lidos e que orgulhosamente forram prateleiras da minha casa e outros que vivem na minha memória, emprestados por familiares e amigos.
É em todos eles que vivo e sobrevivo sem nunca me fartar da iguaria. Cometo até a ousadia de dizer que eles concedessem longevidade eu seria eterna!
Este Natal, a minha Mãe (figura tutelar neste Amor) que fomentou e tem assistido ao meu alpinismo assumido, resolveu amorosamente confirmá-lo com um escadote lindissímo de biblioteca.
Um chilião de Tudo para Ela!
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
DA TELEVISÃO PARA O AUTOCARRO
No meu autocarro há de tudo um pouco e hoje vi algo transposto da televisão que me fez rir.
Dois lugares à minha frente sentava-se uma senhora de idade quase sénior, mas adepta das novas mas já triviais tecnologias - o telemóvel.
Este tocou dum modo bem estridente uma daquelas musiquinhas bem rídiculas, a senhora atendeu e durante uns minutos todo o autocarro ouviu a conversa naquele linguajar ciciado e cantado das terras bem nortenhas do nosso Portugal.
Ela completamente indiferente e eu à beira dum rebentamento de gargalhadas ao ver e ouvir alguém saído directamente da televisão, mais concretamente do fictício Curral das Moinas para o autocarro que ía atravessando as artérias da grande cidade.
Dois lugares à minha frente sentava-se uma senhora de idade quase sénior, mas adepta das novas mas já triviais tecnologias - o telemóvel.
Este tocou dum modo bem estridente uma daquelas musiquinhas bem rídiculas, a senhora atendeu e durante uns minutos todo o autocarro ouviu a conversa naquele linguajar ciciado e cantado das terras bem nortenhas do nosso Portugal.
Ela completamente indiferente e eu à beira dum rebentamento de gargalhadas ao ver e ouvir alguém saído directamente da televisão, mais concretamente do fictício Curral das Moinas para o autocarro que ía atravessando as artérias da grande cidade.
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
NEM TUDO O QUE LEIO É FANTASIA E AINDA BEM!
E vou direita ao assunto sem grandes floreados!
Tudo isto por causa da estrondosa vitória de Barack Obama que me deixou fortemente emocionada e dei comigo a pensar em três livros que me marcaram em épocas bem diferentes, mas que contribuíram de certo modo para aquilo que sou como ser humano - alguém que condena o racismo nos Estados Unidos e não só!
Em primeiro lugar uma biografia de Lincoln que li no Ciclo Preparatório, ao que seguiu "A cabana do pai Tomás" no meu ano de caloira na Escola Comercial e por fim aos 18 anos ( era o ano de 1978) um livro editado em 1964 de nome "O homem" da autoria de Irving Wallace que era ao tempo uma ficção - Douglas Dilman o primeiro Negro a tornar-se Presidente dos Estados Unidos!
Tenho a noção de saber que não vai ser fácil e não sou uma analista política. Contudo este é mais um momento histórico que eu tenho a alegria de assistir e a somar a uns quantos que já vão constituindo memórias para mim e não só!
Parafraseando o meu próprio lema de Vida - SONHAR, ACREDITAR, REALIZAR!
Tudo isto por causa da estrondosa vitória de Barack Obama que me deixou fortemente emocionada e dei comigo a pensar em três livros que me marcaram em épocas bem diferentes, mas que contribuíram de certo modo para aquilo que sou como ser humano - alguém que condena o racismo nos Estados Unidos e não só!
Em primeiro lugar uma biografia de Lincoln que li no Ciclo Preparatório, ao que seguiu "A cabana do pai Tomás" no meu ano de caloira na Escola Comercial e por fim aos 18 anos ( era o ano de 1978) um livro editado em 1964 de nome "O homem" da autoria de Irving Wallace que era ao tempo uma ficção - Douglas Dilman o primeiro Negro a tornar-se Presidente dos Estados Unidos!
Tenho a noção de saber que não vai ser fácil e não sou uma analista política. Contudo este é mais um momento histórico que eu tenho a alegria de assistir e a somar a uns quantos que já vão constituindo memórias para mim e não só!
Parafraseando o meu próprio lema de Vida - SONHAR, ACREDITAR, REALIZAR!
terça-feira, 4 de novembro de 2008
VOCÊS, EU E SEBASTIÃO DA GAMA
Achei-me junto da "Serra Mãe"
com projectos de realizar um "Itinerário Paralelo"
e ao dar por mim,
já estava a dobrar o "Cabo da Boa Esperança".
Juntos entrámos no "Campo Aberto"
e durante oito meses caminhámos felizes
sem nos enganarmos na rota,
pois "Pelo Sonho é vamos".
Regressámos donos da verdade única
que "O Segredo é amar",
restando-me agora as fotografias,as cartas
e o "Diário".
com projectos de realizar um "Itinerário Paralelo"
e ao dar por mim,
já estava a dobrar o "Cabo da Boa Esperança".
Juntos entrámos no "Campo Aberto"
e durante oito meses caminhámos felizes
sem nos enganarmos na rota,
pois "Pelo Sonho é vamos".
Regressámos donos da verdade única
que "O Segredo é amar",
restando-me agora as fotografias,as cartas
e o "Diário".
BORBOLETAS
Na caixa de cartão alinhavam-se em silêncio misterioso,
algumas dezenas de casulos tecidos com fios puros de adolescência
que na expectativa vi abrirem-se,
soltando-se impetuosas do seu interior inúmeras borboletas.
Umas debandaram para longe numa surdez vadia,
enquanto que outras esvoaçaram docemente
rumo ao jardim multicolor das minhas intenções e sentimentos,
pousando suavemente, em abandono meigo e confiante
nas pétalas macias do meu coração.
algumas dezenas de casulos tecidos com fios puros de adolescência
que na expectativa vi abrirem-se,
soltando-se impetuosas do seu interior inúmeras borboletas.
Umas debandaram para longe numa surdez vadia,
enquanto que outras esvoaçaram docemente
rumo ao jardim multicolor das minhas intenções e sentimentos,
pousando suavemente, em abandono meigo e confiante
nas pétalas macias do meu coração.
SETÚBAL 1983- 84 OU A EXPLICAÇÃO DOS "ESCRITOS" EM FORMA DE RESCALDO
Do muito que escrevi e vivi na altura, há sobretudo dois "escritos" que resumem aquele ano único.
Em relação ao primeiro a que eu chamei "Borboletas" dispensa explicações.
Quanto ao segundo - "Vocês, eu e Sebastião da Gama", foi uma pequena e bem sentida brincadeira em que me utilizei dos títulos da obra deste grande Mestre como modo de explicação dos passos que dei entre os meus 23 e 24 anos.
Sem querer fazer grandes promessas, talvez ainda volte a escrever sobre este período a 27 de Abril e 15 de Junho de 2009. O que não quer dizer, que uma vez por outra não vá buscar e relatar alguns detalhes e peço desde já desculpa aos protagonistas de omitir os nomes e apostar nas alcunhas. Há coisas que devem ser preservadas, não é verdade?
Em relação ao primeiro a que eu chamei "Borboletas" dispensa explicações.
Quanto ao segundo - "Vocês, eu e Sebastião da Gama", foi uma pequena e bem sentida brincadeira em que me utilizei dos títulos da obra deste grande Mestre como modo de explicação dos passos que dei entre os meus 23 e 24 anos.
Sem querer fazer grandes promessas, talvez ainda volte a escrever sobre este período a 27 de Abril e 15 de Junho de 2009. O que não quer dizer, que uma vez por outra não vá buscar e relatar alguns detalhes e peço desde já desculpa aos protagonistas de omitir os nomes e apostar nas alcunhas. Há coisas que devem ser preservadas, não é verdade?
O 9º F DO MEU CORAÇÃO OU UMA GRANDE FATIA DO BOLO DA MINHA VIDA!
A 4 de Novembro de 1983, às 17.30 dessa 6ª feira deu-se o encontro mais marcante - o 9º F para a sua aula de apresentação.
Com eles usei a mesma conversa que tive com os outros e deixei-os fazer as perguntas que tinham na vontade, pois no meu entender era a forma de nos conhecermos um pouco. Não queria ser uma mera máquina de conhecimentos que eles teriam de suportar até ao final do ano lectivo. Como sempre, apoiei-me naquele nome que é para mim um dos grandes Mestres da Pedagogia - Sebastião da Gama.
Ora nessa altura do ano os dias são mais pequenos, começa a escurecer mais cedo e a somar a isso a luz eléctrica na escola pregava partidas. Como era o primeiro dia e não esquecendo os meus anos do "lado de lá" mandei-os para casa numa sala que já estava lusco-fusco. Para espanto meu ouço a voz da delegada de turma a falar em nome de todos:
- Porque não ficamos aqui? Estamos tão bem! Ficamos até tocar!
O espanto tomou conta de mim com uma destas. Deixei-os à vontade para quem quisesse sair e até a sirene tocar às 18.20 íamos deixando de ver a cara uns aos outros mas não se arredou pé.
Vim para casa pensativa com esta atitude tão insólita em adolescentes e a pensar que no dia a seguir "já ía ser à ser à séria". Tentei não ter ilusões para não sofrer decepções nos próximos 8 meses.
Os oito meses passaram e o 9º F provou-me em inúmeras ocasiões e situações ser a turma que qualquer professor ambiciona - o bom aproveitamento aliado ao bom comportamento.
Sem serem marrões conjugavam a boa disposição com a dose certa de irreverência que qualquer adolescente deve ter.
E não é que foram eles os autores da festa surpresa do meu 24º aniversário? Guardo ainda o cartão e os dois LP's em vinil do meu compositor de eleição.
E não é com eles que subi a Arrábida até à Figueirinha? Guardo ainda as fotografias e a de grupo está orgulhosamente na secretária do meu Serviço.
E não é que por causa deles ainda hoje vou a Setúbal, à Bela Vista, à serra e em encontros carregados de emoção e significado continuamos a partilhar o que se começou nessa tarde?
Todos nós crescemos em 25 anos e afirmarei sempre que o 9º F está no meu coração como uma grande fatia no bolo da minha Vida!
Obrigada,malta!
Com eles usei a mesma conversa que tive com os outros e deixei-os fazer as perguntas que tinham na vontade, pois no meu entender era a forma de nos conhecermos um pouco. Não queria ser uma mera máquina de conhecimentos que eles teriam de suportar até ao final do ano lectivo. Como sempre, apoiei-me naquele nome que é para mim um dos grandes Mestres da Pedagogia - Sebastião da Gama.
Ora nessa altura do ano os dias são mais pequenos, começa a escurecer mais cedo e a somar a isso a luz eléctrica na escola pregava partidas. Como era o primeiro dia e não esquecendo os meus anos do "lado de lá" mandei-os para casa numa sala que já estava lusco-fusco. Para espanto meu ouço a voz da delegada de turma a falar em nome de todos:
- Porque não ficamos aqui? Estamos tão bem! Ficamos até tocar!
O espanto tomou conta de mim com uma destas. Deixei-os à vontade para quem quisesse sair e até a sirene tocar às 18.20 íamos deixando de ver a cara uns aos outros mas não se arredou pé.
Vim para casa pensativa com esta atitude tão insólita em adolescentes e a pensar que no dia a seguir "já ía ser à ser à séria". Tentei não ter ilusões para não sofrer decepções nos próximos 8 meses.
Os oito meses passaram e o 9º F provou-me em inúmeras ocasiões e situações ser a turma que qualquer professor ambiciona - o bom aproveitamento aliado ao bom comportamento.
Sem serem marrões conjugavam a boa disposição com a dose certa de irreverência que qualquer adolescente deve ter.
E não é que foram eles os autores da festa surpresa do meu 24º aniversário? Guardo ainda o cartão e os dois LP's em vinil do meu compositor de eleição.
E não é com eles que subi a Arrábida até à Figueirinha? Guardo ainda as fotografias e a de grupo está orgulhosamente na secretária do meu Serviço.
E não é que por causa deles ainda hoje vou a Setúbal, à Bela Vista, à serra e em encontros carregados de emoção e significado continuamos a partilhar o que se começou nessa tarde?
Todos nós crescemos em 25 anos e afirmarei sempre que o 9º F está no meu coração como uma grande fatia no bolo da minha Vida!
Obrigada,malta!
domingo, 2 de novembro de 2008
AS BODAS DE PRATA DA MINHA MELHOR AVENTURA
Tinha 23 anos e havia sido colocada como professora de Francês na Escola Secundária da Bela Vista em Setúbal.
Como sempre, a minha cabeça fervilhava de sonhos e projectos que tinha então de partilhar com 8 turmas de anos e níveis diferentes.
Estávamos a 2 de Novembro, era 4ª feira e caminhei para a minha primeira apresentação às 10.30 - o 7º P de Iniciação.
A pasta na mão esquerda, o livro de ponto, as folhas de caderneta debaixo do braço direito e a chave na mesma mão enquanto ouvia a sirene tocar. O calor tomava conta de mim até à raíz dos cabelos, o coração batia feito doido ao ouvir o alarido à minha volta e sentia aqueles olhinhos todos em cima de mim!
Quando levei a mão à porta deu-se a hecatombe - não atinava com o buraco da fechadura e caíem-me traiçoeiras as folhas da caderneta. A somar às vozes, os risos gozões. Houve quem me ajudasse, embrulhei-me nas palavras e uma contínua que na altura passava foi a minha tábua de salvação.
Entrámos todos de roldão e ouvi aquela "música" que me iria acompanhar durante 8 meses - cadeiras a arrastar e aqueles pequenos gramofones. Fiquei deveras feliz ao constatar que as salas não tinham estrado. Assim estava tudo nivelado!
Pousei as coisas, pendurei o casaco nas costas da cadeira, avancei em passos grandes e saudei abafando o zunzum:
- Olá, malta!
Como sempre, a minha cabeça fervilhava de sonhos e projectos que tinha então de partilhar com 8 turmas de anos e níveis diferentes.
Estávamos a 2 de Novembro, era 4ª feira e caminhei para a minha primeira apresentação às 10.30 - o 7º P de Iniciação.
A pasta na mão esquerda, o livro de ponto, as folhas de caderneta debaixo do braço direito e a chave na mesma mão enquanto ouvia a sirene tocar. O calor tomava conta de mim até à raíz dos cabelos, o coração batia feito doido ao ouvir o alarido à minha volta e sentia aqueles olhinhos todos em cima de mim!
Quando levei a mão à porta deu-se a hecatombe - não atinava com o buraco da fechadura e caíem-me traiçoeiras as folhas da caderneta. A somar às vozes, os risos gozões. Houve quem me ajudasse, embrulhei-me nas palavras e uma contínua que na altura passava foi a minha tábua de salvação.
Entrámos todos de roldão e ouvi aquela "música" que me iria acompanhar durante 8 meses - cadeiras a arrastar e aqueles pequenos gramofones. Fiquei deveras feliz ao constatar que as salas não tinham estrado. Assim estava tudo nivelado!
Pousei as coisas, pendurei o casaco nas costas da cadeira, avancei em passos grandes e saudei abafando o zunzum:
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(8)
- Ana Mafalda Salvado
- Almada, Portugal
- Leitora compulsiva,Amiga do meu Amigo,conversadora,dou tudo por uma boa gargalhada,teimosa por vezes até à burrice,gosto de animais (tenho um gato) e admiradora incondicional da Arrábida e das Berlengas.